O voo dos dias no abismo do tempo

O voo dos dias no abismo do tempo

Exposições


de 19 de março de 2026 até 10 de abril de 2026

Galeria Virtual Arttere

Marcelo Lopes chega ao Instituto Arttere como quem não pede licença — abre passagem. Sua escrita, marcada por um pulso direto e uma imagética cortante, faz do poema um instrumento de atenção: aquilo que o cotidiano costuma empurrar para as margens (o cansaço, a urgência, a despedida, o desejo, a saudade) volta ao centro, sem ornamento e sem anestesia. Há, em seus versos, uma ética da franqueza: o texto não “explica” o mundo — ele o expõe.

Nascido em Pelotas (RS), no outono de 1973, Marcelo vive há mais de duas décadas em São Paulo, cidade que atravessa sua percepção como ritmo e fricção. Escreve desde a adolescência e, a partir de 2018, passou a compartilhar poemas no Instagram, consolidando uma interlocução ampla e cotidiana com leitores. Publicou de forma independente dois livros — O voo dos dias no abismo do tempo (2023) e Alimente o desejo e mate-o, ele não vai te poupar (2025) — reafirmando uma poética visceral, atenta às “coisas do cotidiano, as reais e as imaginárias”, precisamente aquelas que, na correria, passam despercebidas.

A exposição online do Instituto Arttere, intitulada “O voo dos dias no abismo do tempo”, toma emprestado o nome de seu livro homônimo e, mais do que isso, assume sua atmosfera como chave curatorial: todas as poesias apresentadas nesta mostra pertencem a esse volume. Não se trata, portanto, de uma antologia dispersa, mas de um corpo coeso — um percurso — onde cada poema funciona como um recorte de tempo e um registro de temperatura interna.

Nesta seleção, a obra de Marcelo evidencia um repertório de estados — “Urgência”, “Rotina”, “Equilíbrio”, “Sufoco”, “Círculo Vicioso”, “Infância”, “Luna” — como se cada texto fosse um ponto de pressão em que a vida, de repente, se revela. Marcelo escreve por condensação: poucas linhas bastam para acender uma cena mental e, ao mesmo tempo, uma sensação física. Em trabalhos como "Corte exposto", a saudade comparece como lâmina: não metáfora decorativa, mas matéria afiada, de contato imediato.

Ao inaugurar a Sessão de poesia no Instituto Arttere, esta mostra propõe mais do que a apresentação de um autor: inaugura um território. Um espaço de escuta e presença, onde a palavra — frequentemente tratada como legenda do mundo — reassume sua autonomia e seu risco. A poesia, aqui, não é acompanhamento; é acontecimento. E, ao acontecer, reeduca o olhar: devolve densidade ao instante e transforma experiência em linguagem compartilhável.

Artista: Marcelo Lopes.

Texto por: Ana Olivia Cury Liran.

 
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