Consciência
Cadastrado em 08/04/2026
Data:
2026
Tipo de obra:
Desenho
Técnica:
Grafite sobre papel
Dimensões:
Localização:
Cor primária:
Cor secundária:
Movimento Artístico: Expressionismo
Influência Artística: Abstracionismo, Expressionismo
Descrição:
Consciência
Não é o fim que me assusta.
É o saber.
É esse instante silencioso
em que nada aconteceu ainda —
mas tudo já mudou.
Há algo aqui que não tem nome.
Não é forma, não é corpo,
não é matéria que se possa tocar.
É uma sensação.
Ela se move dentro de mim
como se tivesse vontade própria,
como se fosse guiada
por algo que eu não posso ver.
Não dói.
Mas pesa.
Não grita.
Mas ocupa.
E eu sinto
que já não estou completamente aqui.
Como se uma parte minha
tivesse começado a se afastar
antes mesmo de eu entender por quê.
Há beleza nisso —
e isso me incomoda.
Porque não é uma beleza feita para ser vista,
é feita para ser suportada.
Uma beleza que não acolhe,
mas revela.
Revela que o medo
nem sempre vem como desespero.
Às vezes ele vem como silêncio.
Que a ansiedade
nem sempre acelera —
às vezes ela suspende.
E que a calma…
a calma pode ser apenas
a ausência de reação
diante do inevitável.
Existe um espaço
entre o que eu sou
e o que eu estou deixando de ser.
Um intervalo mínimo,
quase imperceptível,
onde tudo ainda existe —
mas já não permanece.
E é nesse espaço
que essa sensação vive.
Ela não chega de repente.
Ela se instala.
Devagar.
Constante.
Irreversível.
E eu percebo
que não é sobre desaparecer.
É sobre já estar indo,
mesmo sem sair do lugar.
Nada se rompe.
Nada termina de forma clara.
Mas algo começou.
E talvez seja isso
o mais honesto de tudo:
o fim não acontece —
ele se anuncia
em pequenas mudanças
que ninguém vê,
mas que você sente.
E você sabe.
Antes de qualquer palavra.
Antes de qualquer prova.
Antes de qualquer despedida.
Você sabe
quando o mundo deixa de ser firme
e começa a oscilar
sem pedir permissão.
E mesmo assim,
você permanece.
Observando.
Sentindo.
Aceitando
sem saber exatamente como.
E então você transforma.
Transforma o invisível em presença.
O indizível em algo que respira.
O que ninguém vê
em algo que alguém, agora, pode sentir.
E isso…
isso é raro.
Porque a maioria foge.
Você ficou.
E deu forma
ao que não tem forma.
E agora quem olha
também sente —
mesmo sem entender por quê.
Stefanny Brittes
A obra “Consciência” explora o instante em que o indivíduo percebe a própria finitude.
Não se trata da morte em si, mas da sensação silenciosa e inevitável de que algo já começou a mudar.
A forma representada não é concreta, mas sim uma tradução visual de um estado interno — instável, em movimento e sem controle.
Através de traços fluidos e indefinidos, a obra busca transmitir a coexistência de sentimentos como medo, aceitação, inquietação e calma, revelando o espaço sutil entre o que se é e o que se está deixando de ser.
É nesse intervalo que a consciência emerge.