Biografia: Anâkok Taûrepang
José Leonel Casado Cliffe, artisticamente conhecido como Anâkok Taûrepang, é um artista visual, músico e guia cultural de origem venezuelana, nascido em 2003, em Santa Elena de Uairén. Herdeiro de uma linhagem artística, é filho de José Faustino Casado Asís ("Amayikok") e Evelis Leonida Cliffe Franco ("Arasary Pachi"). Sua trajetória é marcada por uma profunda conexão com a espiritualidade, a natureza e o fortalecimento da identidade indígena.
Trajetória Artística e Evolução Técnica
A expressão artística de Anâkok manifestou-se precocemente. Aos quatro anos, seus primeiros traços foram desenhados nas areias das margens dos rios, evoluindo posteriormente para suportes orgânicos como pedras e madeiras. Aos 11 anos, iniciou seus estudos formais em desenho com papel e carboncillo, destacando-se em competições escolares de design.
Em 2017, mudou-se para o Brasil, estabelecendo-se na comunidade indígena do Bananal. Foi neste período que sua técnica alcançou maturidade. Em 2020, expandiu seu repertório para a pintura acrílica sobre tela, consolidando o nome artístico Anâkok — que em sua língua nativa significa "pássaro misterioso" — reafirmando seu pertencimento à etnia Taûrepang.
Reconhecimento e Projeção Internacional
A carreira de Anâkok ganhou novo impulso através do intercâmbio cultural com o renomado artista Jaider Esbell. Em 2021, sua produção acadêmica e cultural o levou a ser entrevistado pela Universidade Federal de Roraima (UFRR), em Boa Vista.
Entre os marcos de sua trajetória, destacam-se:
2022: Reconhecimento oficial pela classe artística estadual de Roraima.
2023: Nomeação como Artista Roraimense e participação em eventos em Normandia (RR), onde teve o honroso encontro com o líder indígena Davi Kopenawa Yanomami.
Projeção Global: Através de sua dedicação, suas obras transcenderam fronteiras, integrando exposições em galerias e museus em São Paulo, Califórnia (EUA) e França.
Versatilidade e Atuação Contemporânea
A partir de 2024, Anâkok expandiu sua rede de colaborações, estabelecendo diálogos com organizações internacionais, como a Fraternidade – Federação Humanitária Internacional (FFHI). No campo musical, atua de forma independente como compositor, editor e produtor de beats, lançando em 2026 seu mais recente trabalho, a canção "Quinceañera".
Além de sua produção artística, Anâkok desempenha um papel fundamental na preservação ambiental e fomento da economia local como condutor e guia de ecoturismo na comunidade do Bananal, onde compartilha o conhecimento ancestral e as belezas geográficas de seu território.
"Movido pela ancestralidade Taûrepang, Anâkok utiliza a arte como ferramenta de resistência e valorização das histórias de seu povo, unindo tradição e contemporaneidade."