Paulistana, desde a infância, minhas mãos sempre souberam o caminho. Além de brincar como as outras crianças brincavam, eu criava — fios, texturas, pequenos mundos feitos de imaginação e paciência. O trabalho manual nunca foi apenas um passatempo; era uma forma silenciosa de conversar com o mundo, de transformar sentimentos em matéria.
A vida levou-me por outros nós. Durante muitos anos, trilhei um percurso sólido como executiva no mercado financeiro, entre números, metas e decisões rápidas. Foi uma escola de rigor e força, mas o coração continuava a pedir espaço para respirar, criar e sentir.
Até que um dia escolhi reinventar-me. Voltei aos fios, agora com mais histórias nas mãos e mais sentido no olhar. No macramé encontrei abrigo, ritmo e verdade. Cada adorno, painel ou colar de mesa nasce do encontro entre técnica e emoção, entre o que aprendi ao longo da vida e o que sempre fui.
As minhas peças são feitas com afeto, amor e alegria. São nós que unem passado e presente, razão e sensibilidade, trabalho e poesia. Cada criação carrega tempo, cuidado e a certeza de que a arte também é um caminho de volta para casa.