O Drone do Rio
Cadastrado em 15/02/2026
R$ 1.500,00
Data:
2026
Tipo de obra:
Pintura
Técnica:
Acrílica sobre tela
Dimensões:
A 1,40 x L 0,90
Localização:
Cor primária:
Cor secundária:
Descrição:
Vista de um ponto de observação elevado, a obra apresenta uma paisagem atravessada por um rio que funciona como eixo vital e divisor simbólico. O olhar suspenso — quase mecânico — aproxima-se da lógica de um drone, mas o que se revela não é neutralidade: é um território marcado por tensão, contraste e perda.
As áreas verdes organizadas em padrões rítmicos sugerem regiões ainda preservadas, enquanto os campos de cores quentes — vermelhos, laranjas e ocres — evocam a devastação da paisagem, como se uma queimada recente tivesse atravessado parte do território. Nessas zonas, a geometria se torna mais fragmentada e instável, reforçando a sensação de ruptura e desgaste.
O rio assume um papel decisivo: não apenas estrutura a composição, mas atua como linha de resistência. Ele separa áreas de destruição e de sobrevivência, funcionando como fronteira natural e simbólica. De um lado, a permanência do verde; do outro, a marca da perda. A paisagem deixa de ser contínua e passa a ser lida como campo de conflito.
A pincelada visível e a construção por planos cromáticos afastam a obra de um registro cartográfico literal. Trata-se de um mapeamento sensível, em que o território é observado à distância, mas interpretado com envolvimento crítico. O ponto de vista elevado não apaga o drama do chão; ao contrário, evidencia a escala da intervenção humana sobre a natureza.
O Drone do Rio propõe uma reflexão sobre a paisagem contemporânea sob ameaça: um território observado de cima, fragmentado por ações humanas, onde a natureza resiste de forma desigual. Entre a abstração geométrica e a paisagem construída, a obra transforma o rio em símbolo de limite, proteção e memória — aquilo que ainda separa a preservação da devastação.