Corpos do Apa
Cadastrado em 02/09/2026
Data:
2025
Tipo de obra:
Pintura
Técnica:
Óleo sobre tela
Dimensões:
A 0,30 x L 0,40
Localização:
Cor primária:
Azul
Cor secundária:
Verde
Descrição:
“Corpos do Apa” nasce da minha vontade de trazer também para materialidade, através da manualidade da pintura, registros de preciosas memórias de minhas “cidades-natal”: Bela Vista - Bella Vista. A pintura foi baseada em fotografias reais de pessoas banhando-se no Rio Apa. Entre os corpos e a paisagem, surgem elementos simbólicos vinculados à memória da região que, apesar de se valer da mesma estratégica simbólica da Obra I (Memória líquida), aqui retorna à sua origem, preciosa origem. O Rio Apa é apresentado não como paisagem, mas como agente formador de identidade, constituindo um espaço onde as experiências, sensoriais, afetivas, os hábitos e os afetos se acumulam ao longo do tempo. O que se vê, não é apenas um momento à beira do rio e as histórias marcadas, mas a própria permanência desse território na constituição de quem viveu suas margens. Certas memórias não podem ser transferidas ou armazenadas — elas existem apenas na experiência vivida. Gosto de pensar que o conceito de memória líquida aqui ganha outro significado: a vida vivida no Rio Apa.
A obra se relaciona às tradições de Mato Grosso do Sul a partir das formas de convivência e pertencimento construídas em torno do Rio Apa, especialmente na região de Bela Vista e Bella Vista. Mais do que representar um costume específico, a pintura registra um modo de viver e ocupar esse território que atravessa gerações e permanece na memória de quem o vivenciou. Ao trazer essas experiências para a pintura, a obra olha para essa tradição a partir do presente, não como algo fixado no passado, mas como parte de uma identidade que continua sendo construída. O rio, os corpos e as memórias tornam-se, assim, registros de uma cultura local que permanece viva justamente porque continua sendo experimentada.