Arquivos Obsoletos
Cadastrado em 02/09/2026
Data:
2026
Tipo de obra:
Pintura
Técnica:
Óleo sobre tela, disquetes e fragmentos de crochê
Dimensões:
A 0,72 x L 1,00
Localização:
Cor primária:
Cinza
Cor secundária:
Azul
Descrição:
A obra aproxima memória e obsolescência ao reunir resíduos tecnológicos, fragmentos corporais e uma paisagem em transformação. Os disquetes, antigos suportes de armazenamento de dados, aparecem como vestígios de uma memória tecnológica que se tornou obsoleta. Na figura central, essa obsolescência se desloca para o corpo: fragmentado e composto por diferentes referências visuais, ele evidencia uma identidade constantemente reconstruída pela mídia, pelos padrões estéticos e pelos algoritmos. Assim como os dispositivos tecnológicos são substituídos, as imagens do corpo também são submetidas a ciclos de atualização e descarte. A relação com as tradições de Mato Grosso do Sul aparece na própria ideia de memória e transformação do território. As referências culturais do estado, construídas a partir de sua paisagem, de sua cultura de fronteira e de diferentes modos de vida, também estão sujeitas às mudanças do presente. A obra não representa essas tradições de maneira direta, mas questiona o que acontece com elas quando entram em contato com uma sociedade cada vez mais tecnológica e influenciada pelas imagens produzidas e reproduzidas pelas mídias. O corpo fragmentado funciona como uma representação desse processo. Assim como as referências culturais podem ser modificadas, esquecidas ou ressignificadas, a identidade também passa por constantes processos de atualização. O antigo e o novo coexistem na mesma imagem: os disquetes remetem a uma tecnologia ultrapassada, enquanto o corpo é influenciado por mecanismos atuais de produção de imagens e padrões. Nesse sentido, a obra propõe um olhar contemporâneo sobre a tradição ao tratar a memória não como algo preservado de forma intacta, mas como algo que se transforma conforme o território e seus habitantes mudam.