Dos dados ao banco de dados
Cadastrado em 02/09/2026
Data:
2026
Tipo de obra:
Pintura
Técnica:
Óleo sobre descarte de madeira, dados e componentes eletrônicos
Dimensões:
A 0,80 x L 0,48
Localização:
Cor primária:
Verde
Cor secundária:
Azul
Descrição:
A obra Dos Dados ao Banco de Dados parte do bozó, jogo tradicional muito presente no cotidiano e na memória de Mato Grosso do Sul, especialmente nas relações de convivência, nos bares, nas rodas de conversa e nas formas populares de entretenimento. Na pintura, o jogo é deslocado de seu contexto habitual e colocado em contato com elementos da tecnologia e da cidade, criando uma relação entre uma prática tradicional e as formas contemporâneas de produzir, armazenar e utilizar informações. Os dados presentes na obra deixam de representar apenas a sorte do jogo. Eles passam a estabelecer uma ligação com os “dados” digitais que fazem parte da vida cotidiana. Assim como no bozó se lançam os dados e se espera uma combinação favorável, no ambiente digital nossas ações, escolhas e comportamentos também são transformados em dados, utilizados por sistemas e algoritmos que passam a interferir em nossas experiências. Em suma, a obra aproxima o jogo de bozó das infraestruturas contemporâneas de dados a partir de uma coincidência simples: em ambos, os dados estão no centro. No primeiro, são lançados como parte de uma brincadeira com a sorte, em um gesto cotidiano marcado pelo acaso e pelo prazer de jogar. No segundo, são coletados, armazenados e processados como matéria-prima de sistemas digitais. A obra parte dessa passagem para tensionar a transformação dos dados de um elemento do jogo em um recurso de valor econômico, político e tecnológico. No bozó, lançar os dados é aceitar momentaneamente a incerteza: não há necessidade de conhecer ou controlar o resultado.