Memória líquida
Cadastrado em 02/09/2026
Data:
2025
Tipo de obra:
Pintura
Técnica:
Óleo sobre tela
Dimensões:
A 0,70 x L 0,50
Localização:
Cor primária:
Azul
Cor secundária:
Descrição:
Memória Líquida parte da relação entre memória pessoal, território e transformação. A obra reúne elementos que fazem parte da minha própria história com referências culturais e visuais de Mato Grosso do Sul. A paisagem não aparece apenas como representação de um lugar, mas como uma reunião de lembranças, símbolos e experiências que fazem parte da construção da minha identidade. A paisagem é atravessada por nuvens, falhas e interferências digitais. As nuvens fazem referência tanto ao céu e à paisagem natural quanto à chamada “nuvem” tecnológica, onde atualmente armazenamos fotografias, documentos, conversas e outros fragmentos da nossa vida. A obra aproxima essas duas ideias de nuvem para pensar como a memória deixou de estar apenas nos objetos físicos e passou também a existir em ambientes digitais. Pensando nisso, transferir a memória para fora de si é ampliar o alcance da mente, mas também perder algoda experiência interna, emocional, subjetiva. O armazenamento que delegamos às “nuvens”, drives, cartões, alguns gigas… não enfraquece os laços emocionais com nossas experiências? Celular em shows, dependência do gps, crianças com tablets, relações menos subjetivas com os processos… Afinal, nós humanos estamos fadados à nostalgia ou realmente há algo rico e imensurável na memória viva, orgânica e subjetiva? Ambos, talvez. Byung-Chul Han disse que “O eu se forma tanto pelo que lembra quanto pelo que deixa ir. Esquecer é parte do que nos organiza por dentro. Ao arquivar tudo, perdemos o filtro que molda sentido. Quando tudo permanece acessível, o presente se sobrecarrega. Por isso eu reverencio a memória, o sabor da guavira e todos os que esqueci.